quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

A Lei do Divórcio, Eduardo Sá


A nova lei sobre o divórcio mereceu, recentemente, o veto do Presidente da República. Argumentou o Prof. Cavaco Silva que, mantendo tudo como está (nomeadamente, a noção de divórcio litigioso e a necessidade de associar a um processo desses a determinação e a averiguação da culpa de um dos membros do casal), seriam mais facilmente protegidos os interesses das crianças e das vítimas de violência conjugal.
Logo de seguida, um representante do PSD afirmou que a taxa de divórcios litigiosos é, actualmente, tão pequena que não se justificaria uma nova lei, e o líder do Bloco de Esquerda chamou insensato ao Presidente (o que, estando em causa a mais alta instituição de um Estado democrático, talvez possa ser sentido como afronta).
Em primeiro lugar, todos os divórcios são litigiosos e por mútuo consentimento. Todos acarretam litígios e nenhum dos cônjuges, por mais que se inocente, deixa de contribuir para ele. Ainda assim, só não há mais divórcios litigiosos porque a sensatez de muitos advogados os evita.
Em segundo lugar, se num divórcio litigioso um dos membros do casal (o que se quer divorciar, em rigor) tem de fazer a prova das infidelidades do outro, por exemplo, para justificar a um magistrado a justeza da sua intenção, não fica nada claro em que medida é que isso protege uma vítima de violência ou uma criança. Mais claramente: como se protege melhor uma criança mantendo um dos seus pais num sequestro caucionado pela lei?
Em terceiro lugar, a pequena percentagem de divórcios litigiosos, pelas dimensões de maltrato muito violento que representa para uma criança (com consequências para a toda a vida) não só justifica como, sobretudo, impõe que a lei se mude. Não é por ser pequeno o número de crianças violentadas pelo ódio recíproco dos pais que elas devam merecer, sobretudo, indiferença.
Em quarto lugar, como se protege uma criança permitindo que um divórcio litigioso seja um rol de ódios e de mentiras ficando ela num fogo cruzado onde se gostar de um dos pais é sentido como trair o outro e vice-versa?
Por último, onde tem estado o interesse das crianças para as pessoas que, agora, o evocam se não houve uma circunstância, nestes anos todos, em que tenham reclamado ou exigido que fossem declaradas, automaticamente em perigo, todas as crianças que vivem, todos os dias, no meio do ódio dos pais, sem ninguém que as socorra e proteja, sendo sujeitas a coacções e a humilhações que as destroem por dentro?
Finalmente, não é chamando insensato ao Presidente da República que se contribui para ultrapassar esta divergência de opiniões entre cidadãos de diferentes órgãos do Estado democrático.
Aliás, muitos divórcios começam assim. E não consta que seja necessária uma lei para que as instituições percebam até onde deve ir o respeito que torna a liberdade de duas pessoas numa mesma relação num bem de primeira necessidade para todos.


Eduardo Sá


In Destak, 1/9/2008

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Comportamentos Desajustados em crianças

Somos aquilo com que nascemos (genes, temperamento) e aquilo que aprendemos na relação com o meio.

Por isto, o comportamento da criança pode dever-se a factores biológicos ou a vivências: no seio da família, na escola, etc.

Os comportamentos agressivos surgem frequentemente em contexto escolar e exigem um grau elevado de dedicação por parte de pais, professores, funcionários da escola, e todos nós na sua resolução.

É pela grande dificuldade que todos temos em lidar com este tipo de comportamentos desajustados que tantas vezes nos chegam (Psicólogos) às mãos processos de crianças com faltas disciplinares, suspensões, entre outras queixas.

Ao Psicólogo cabe, na maior parte das vezes, investigar até chegar a uma conclusão: "De onde vem este tipo de comportamento?", planeando depois uma intervenção (que será diferente consoante a origem do problema) que, não raras vezes, envolva pais e professores num trabalho constante de reforço positivo, castigos e atitudes justas, assertivas e adequadas a cada aluno que agride.

Está, portanto, nas mãos de todos, a resolução progressiva de cada caso de violência, em contexto escolar ou noutro. E é bom que nos consciencializemos de que a intervenção tem de ser feita quando a personalidade da criança ainda está em desenvolvimento, sob pena de que se torne em mais um adulto envolvido na delinquência.












Clematis, Psicologia

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

É Natal!!! .... Natal?

Hoje, 25 de Dezembro, celebra-se o dia do nascimento de Jesus de Nazaré. Data importante do cristianismo, contudo celebrada por todo o mundo, cristãos e não cristãos. É o Natal!

Decorado com o pinheiro, bolas e velas, o Pai Natal e os presentes, a musica e o Presépio, símbolo da reunião da família e da partilha da paz no mundo.
Assim instituída a Festa de Natal, é a época do ano em que se consome mais de tudo. A euforia nas lojas, enchendo as mãos de presentes. Depois, tempos infinitos a cozinhar, enchendo a mesa de iguarias. E por fim, a paragem, enchendo o coração do Verdadeiro significado do Natal. Será que ainda resta força, coragem e amor para isso?

Gostava de partilhar este presente que recebi de alguém muito especial. É um excerto do livro
A Solidão de Deus

«Jesus superava o cárcere do medo e conseguia relaxar em situações extremamente tensas. Pensava antes de agir em ambientes onde qualquer intelectual reagiria por instinto. Tinha habilidade para fazer um brinde à vida quando o mundo desabava sobre ele. O mundo comemora com festa o nascimento de Jesus, mas desconhece a sua inteligência fascinante.

Analisar a grandeza intelectual de Jesus levou-me a constatar a minha pequenez. Que homem é este que investe tudo o que tem no ser humano, mesmo quando este o decepciona ao mais alto nível? Que inteligência é esta que, no meio de tantas actividades, é capaz de deter-se diante de uma flor e fazer dela um espectáculo para os olhos?

Que personalidade é esta que teve a coragem de exaltar prostitutas e dizer que elas precederiam no reino dos céus muitos religiosos de renome cuja conduta aparentemente os ilibava? A sua sensibilidade era provocadora. Era capaz de abraçar um leproso e tratar as feridas do desprezo e da alienação social sem que o doente lho pedisse. Era impossível permanecer ao seu lado sem derrubar preconceitos e refazer os paradigmas sociais.

O resultado de todo o seu ensinamento foi excepcional. Como artífice da psique, elevou o padrão da humanidade dos seus discípulos, levando-os a aprender, em primeiro lugar, que o ser humano que erra é mais importante que os erros que comete. Em segundo, que a solidariedade só existe quando temos o direito de recomeçar tudo após falharmos e quando damos este mesmo direito às pessoas que nos desiludem. Em terceiro lugar, que só há liberdade plena num lugar - dentro de nós mesmos -, e que apenas somos livres quando a encontramos.»

Obridaga Guilhermina
Namasté*

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Um Trabalho Diário

"Trazia toda a gente gratamente surpreendida pelo seu bom carácter e a amabilidade dos seus hábitos. Era uma simples anciã que, em todo o momento e circustância, se mostrava carinhosa e exalava ternura e amor. Tanto assim era, que os seus vizinhos, intrigados, um dia perguntaram-lhe:

- Boa mulher, algum segredo deves esconder, porque não é normal que nunca te tenhamos visto aborrecida e, pelo contrário, tenhas sempre boas palavras, sorrisos e carinhos para todos. Como o conseguiste? Uma pessoa como tu, é uma benção para este mundo desenfreado.

A anciã, humildemente, explicou:

- É um trabalho diário. De manhã, quando acordo, pensos sempre: como me sentirei hoje, amorosa ou hostil? Até agora, meus amigos, escolhi sempre sentir-me carinhosa, e já andei muito para mudar de gostos."

Nos ensinamentos da Índia, fez-se sempre especial referencia à denominada decisão recta.

É muito importante e um meio para curar a mente, mudar de atitude e libertar-se de estados mentais e emocionais destrutivos, além de poder questionar as intenções com consciência e sabedoria. É a decisão de manter uma atitude positiva e ganhar estados emocionais saudáveis e benéficos, mas também a decisão de pensar, falar e actuar correctamente, e libertar-se de atitudes doentias e destrutivas. Para isso, requere-se vontade e consciência, firmeza e prática.

A decisão recta vai conduzindo à intenção pura. Não há decisão recta mais essencial do que a de desenvolver e manifestar amor, compaixão e benevolência.


Conto Oriental, retirado d' "O livro do Amor", por Ramiro Calle